segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Facebook, Google, Twitter e mídia corporativa são uma ameaça à democracia e principais responsáveis pela polarização mundial




O reino do ódio, o território da infâmia, do linchamento moral, mas já algumas vezes físico, em que se transformaram as principais plataformas de comunicação social em rede, são fruto da decadência irreversível do Império e sua ideologia do ódio ao diferente, que começou a ser difundida a partir do 11 de setembro de 2001, com a derrubada das Torres Gêmeas e a consequente assinatura pelo governo de George W. Bush do USA Patriotic Act, em 26 de outubro daquele ano.

Esse ódio, essa polarização mundial, é veiculada pelas redes sociais e pela mídia corporativa e se espalha pelo mundo.



Há não muito tempo, as redes sociais ofereciam a promessa de uma política mais esclarecida: a facilidade de comunicação e a circulação de informações corretas ajudariam as pessoas de boa índole a acabar com a corrupção, a intolerância e as mentiras. (...) Longe de contribuir para o esclarecimento do público, as redes sociais estão espalhando veneno.
Da África do Sul à Espanha, o jogo político está cada vez mais agressivo e sujo. Em parte, isso se deve ao fato de que, ao propagar mentiras e indignação, minar o discernimento dos eleitores e acentuar a polarização política, as redes sociais corroem as bases sobre as quais se dá o toma lá dá cá político que (...) promove a liberdade.
Mais do que gerar divisão e desacordo, as redes sociais se encarregam de amplificá-los. A crise financeira de 2007-2008 alimentou a revolta contra uma elite endinheirada que se descolara da realidade vivida pela grande maioria. As chamadas “guerras culturais” fizeram com que os eleitores passassem a se dividir de acordo com suas identidades, e não mais pelo corte de classe. O incentivo à polarização não é exclusividade das redes sociais. Está presente também na TV a cabo e no rádio. Mas a Fox News [a Rede Globo aqui, digo eu] atua em terreno conhecido, ao passo que as plataformas sociais são um fenômeno novo e ainda pouco compreendido. E o modo como elas funcionam faz com que tenham influência extraordinária.
As redes sociais ganham dinheiro colocando fotos, postagens pessoais, notícias e anúncios publicitários diante do usuário. Como dispõem de ferramentas para mensurar sua reação, sabem muito bem como entrar na cabeça da pessoa. Coletando dados sobre a atividade de cada um, as plataformas calibram seus algoritmos para exibir aos usuários as coisas que mais provavelmente lhes chamarão a atenção, fazendo com que eles continuem rolando a página, clicando e compartilhando indefinidamente. (...) O resultado é impressionante: um estudo mostra que em países desenvolvidos as pessoas tocam a tela de seus smartphones 2,6 mil vezes por dia.
Seria maravilhoso se isso contribuísse para que a verdade e a sabedoria viessem à tona. Entretanto, (...) qualquer um que conheça o feed de notícias do Facebook sabe que, em vez de difundir sabedoria, a plataforma é craque em espalhar coisas compulsivas, que tendem a reforçar os preconceitos das pessoas.
Isso reforça a política do desprezo pelos adversários que se instaurou, pelo menos nos EUA, a partir dos anos 1990. Como os diferentes lados veem fatos diferentes, não há base empírica comum a partir da qual possam chegar a um consenso. Como as pessoas ouvem a todo instante que os que estão do lado de lá são um bando de vagabundos que não fazem senão mentir, trapacear e difamar, é cada vez mais difícil vê-los como indivíduos com os quais é possível chegar a um entendimento. Como são sugadas pela voragem das mesquinharias, dos escândalos e da indignação, as pessoas acabam perdendo de vista o que realmente importa para a sociedade em que convivem.
Dessa forma, caem em descrédito a busca do consenso e as sutilezas da democracia liberal, para alegria dos políticos que se alimentam de teorias conspiratórias e da xenofobia.

O texto foi publicado em The Economist e aqui no Estadão. Parece escrito no Brasil, não? Íntegra aqui.

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